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ROE: melhore a rentabilidade financeira com dados e automatização

Written by Redação SERES | 2026 setembro 27

O ROE, ou rentabilidade financeira, é um dos indicadores que ajudam o CFO a avaliar a capacidade de uma empresa para gerar lucro a partir dos seus capitais próprios.

No entanto, melhorar o ROE não depende apenas do aumento do resultado líquido. Também implica intervir nos processos que influenciam a eficiência operacional, o capital circulante, os recebimentos, os pagamentos, a qualidade dos dados financeiros e a visibilidade do negócio.

Neste contexto, a automatização financeira permite interligar dados, reduzir tarefas manuais e oferecer uma visão mais precisa. Para o CFO, dispor de informação fiável e rastreável é fundamental para passar da análise do indicador à tomada de decisões orientadas para a melhoria dos resultados.

O que é o ROE e como é calculado?

O ROE (Return on Equity) mede a rentabilidade que uma empresa obtém sobre os seus capitais próprios. Por outras palavras, indica o lucro gerado pela empresa por cada unidade de capital investida pelos seus acionistas.

A fórmula habitual para calcular a rentabilidade financeira é a seguinte:

ROE = Resultado líquido / Capitais próprios × 100

 

Por exemplo, se uma empresa obtiver um resultado líquido de 1 milhão de euros e tiver 10 milhões de euros de capitais próprios, o seu ROE será de 10 %.

Este indicador permite avaliar a eficiência com que uma empresa utiliza os seus recursos próprios para gerar rentabilidade. Por isso, é particularmente relevante para acionistas, investidores, administração e equipas financeiras.

Por outro lado, o ROE deve ser sempre interpretado no seu contexto, uma vez que um ROE elevado pode refletir uma boa rentabilidade, mas também pode ser influenciado por um elevado nível de endividamento ou por uma redução dos capitais próprios. Por isso, o CFO deve analisá-lo em conjunto com outros indicadores financeiros e operacionais.

Saiba como interpretar o ROE na direção financeira

O ROE ajuda a responder a uma questão fundamental: a empresa está a gerar rentabilidade suficiente com os capitais próprios de que dispõe?

Para o interpretar corretamente, o CFO deve considerar alguns elementos, entre os quais:

  • O nível de endividamento.
  • A eficiência operacional.
  • A capacidade de geração de caixa.
  • A qualidade do fundo de maneio.
  • A estrutura de custos.

Embora um ROE crescente possa ocultar riscos quando assenta num maior nível de endividamento ou em reduções de custos não sustentáveis, um ROE baixo nem sempre significa uma má gestão, uma vez que pode resultar de investimentos recentes, aumentos de capital ou alterações do ciclo económico.

A utilidade do ROE aumenta quando este é analisado em conjunto com dados sobre liquidez, margens, fluxo de caixa (cash flow), prazos de recebimento, prazos de pagamento e eficiência dos processos financeiros.

Diferenças entre ROE e ROI 

O ROE e o ROI são indicadores relacionados com a rentabilidade, mas não medem exatamente a mesma coisa:

  • O ROE mede a rentabilidade dos capitais próprios. Centra-se no lucro que a empresa gera face ao capital investido pelos acionistas.
  • O ROI, ou retorno do investimento, mede a rentabilidade de um investimento específico. Permite avaliar se um projeto, ativo, campanha, tecnologia ou iniciativa gera retorno face ao custo que representou.

A principal diferença está no foco:

Indicador O que mede? Para que serve?
ROE Rentabilidade de capitais próprios Avaliar a eficiência financeira da empresa na perspetiva dos capitais proprios.
ROI Rentabilidade de um investimento específico Analisar se um determinado investimento gera um retorno suficiente.

Para o CFO, ambos os indicadores são complementares. O ROE ajuda a compreender a rentabilidade global dos capitais próprios. O ROI permite avaliar decisões concretas de investimento.

Numa estratégia financeira sólida, o objetivo não é apenas medir ambos os indicadores, mas também dispor de dados fiáveis para os interpretar corretamente e atuar sobre os processos que os influenciam.

Porque é que o ROE depende de mais do que do resultado líquido?

Embora a fórmula do ROE pareça simples, a sua evolução depende de muitos fatores. O resultado líquido é uma componente essencial, mas não é a única. O ROE pode ser influenciado por:

  • A rentabilidade das vendas.

  • A estrutura de custos.
  • A produtividade operacional.
  • A rotação dos ativos.
  • A gestão do fundo de maneio.
  • Os prazos de recebimento e de pagamento.
  • A eficiência dos processos financeiros.

Isto significa que melhorar o ROE exige uma visão abrangente da empresa. Não basta atuar sobre o resultado final, é necessário analisar que processos estão a gerar custos, atrasos, erros ou falta de visibilidade.

Por exemplo, se uma empresa demora demasiado tempo a receber os pagamentos, acumula faturas bloqueadas ou gere ocorrências de forma manual, a sua liquidez pode ser afetada. Esta falta de eficiência pode aumentar as necessidades de financiamento, gerar custos adicionais e reduzir a capacidade de investimento.

Por outro lado, quando os processos de cobrança, pagamento, faturação e reconciliação estão digitalizados, a empresa ganha maior controlo sobre as variáveis que influenciam a rentabilidade financeira.

Como melhorar a rentabilidade financeira através dos processos

A rentabilidade financeira não é melhorada apenas através da análise contabilística. Também pode ser melhorada através da eficiência dos processos que têm impacto no resultado, na liquidez e no fundo de maneio.

Neste sentido, o CFO deve prestar especial atenção a dois ciclos particularmente relevantes: Source-to-Pay e Order to Cash.

O ciclo Source-to-Pay engloba os processos que vão desde a gestão de fornecedores e compras até à receção, validação e pagamento de faturas. A sua eficiência influencia o controlo da despesa, a gestão dos compromissos de pagamento, a relação com os fornecedores e a visibilidade sobre os custos.

O ciclo Order to Cash abrange o processo desde a receção da encomenda até à cobrança da fatura. A sua otimização permite melhorar a gestão das receitas, reduzir atrasos nos recebimentos, antecipar ocorrências e reforçar a previsão de cash flow.

Intervir nestes ciclos permite:

  • Reduzir tarefas manuais e diminuir os erros administrativos.

  • Melhorar a rastreabilidade documental e a qualidade da informação financeira.
  • Acelerar processos de validação e aprovação.
  • Antecipar ocorrências relacionadas com recebimentos ou pagamentos e controlar melhor o fundo de maneio.
  • Tomar decisões com base em dados mais atualizados.

Cada melhoria operacional pode ter um efeito acumulado na rentabilidade. Menos erros, maior visibilidade e maior controlo permitem reduzir ineficiências que, embora nem sempre sejam visíveis numa primeira análise, acabam por afetar os resultados.

Automação financeira: dados fiáveis para medir melhor o ROE

A automação financeira permite transformar processos manuais em fluxos digitais mais controlados, rastreáveis e integrados com os sistemas de gestão da empresa.

Para medir corretamente o ROE e compreender os fatores que o condicionam, é fundamental dispor de dados fiáveis, para que a análise financeira não perca precisão.

A automação ajuda a resolver este problema ao ligar diferentes processos e transformar documentos em dados estruturados. Isto permite obter uma visão mais completa e atualizada da situação financeira.

Entre os seus principais contributos destacam-se:

  • Maior fiabilidade dos dados financeiros.
  • Melhor acompanhamento e rastreabilidade das faturas emitidas e recebidas.
  • Controlo dos prazos de vencimento e dos estados dos documentos.
  • Integração com ERP e sistemas contabilísticos.
  • Disponibilidade de informação para dashboards financeiros.

A tecnologia, por si só, não melhora o ROE. No entanto, permite identificar com maior clareza quais os processos que afetam a rentabilidade e onde é necessário atuar para a melhorar.

Fatura eletrónica e dados estruturados: uma alavanca para a área financeira

A fatura eletrónica não deve ser entendida apenas como uma obrigação regulamentar. É também uma fonte de dados estruturados que pode melhorar a visibilidade financeira.

Quando as faturas são emitidas, recebidas, validadas e arquivadas eletronicamente, a empresa consegue conhecer com maior precisão o seu estado, valor, vencimento, aceitação, rejeição ou ocorrência associada.

Isto gera valor tanto nas contas a receber como nas contas a pagar.

  • No âmbito do Order to Cash, permite melhorar o acompanhamento das faturas emitidas, reduzir ocorrências e antecipar atrasos nos recebimentos.

  • No âmbito do Source-to-Pay, facilita o controlo das faturas recebidas, das aprovações, dos vencimentos e dos compromissos de pagamento.

Da medição do ROE à tomada de decisões

O ROE é útil quando contribui para a tomada de decisões, e o seu verdadeiro valor está em compreender quais as alavancas que podem melhorar a rentabilidade.

Para o CFO, isto implica analisar o comportamento dos processos que afetam o resultado, o fundo de maneio e a estrutura financeira da empresa.

Se os dados revelarem atrasos recorrentes nos recebimentos, ocorrências na faturação, falta de controlo sobre os pagamentos ou erros manuais, a melhoria do ROE pode passar pela otimização dos processos, em vez de atuar apenas sobre as variáveis financeiras.

A automação permite identificar estas áreas de melhoria e transformar a informação operacional em conhecimento financeiro.

Desta forma, a direção financeira pode:

  • Reduzir custos administrativos.

  • Melhorar a previsão de liquidez.
  • Controlar melhor os riscos financeiros.
  • Alinhar as decisões operacionais e financeiras.
  • Reforçar a capacidade de análise estratégica.
O CFO deixa de trabalhar apenas com dados históricos e ganha maior capacidade para atuar sobre os fatores que condicionam a rentabilidade futura.